Espécies ameaçadas de extinção: Foca-monge-do-mediterrâneo

A foca-monge-do-mediterrâneo é provavelmente o membro da família das focas mais ameaçado de extinção.

Foca-monge-do-mediterrâneo. Fonte da imagem: eunis.eea.europa.eu/species/1455/LIFE project: [LIFE00 NAT_GR_007248]


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Nome científico: Monachus monachus
Tamanho: 1,5 m
Cor: cinza-prateado
Ocorrência: mar Mediterrâneo e costa ocidental da África
Status de conservação IUCN: em perigo

Outrora espalhada pelo Mediterrâneo e águas adjacentes, hoje estima-se que haja somente em torno de 400 indivíduos restantes desse mamífero marinho, o que faz da espécie Monachus monachus a foca mais rara do mundo.

É informalmente conhecida, no arquipélago português da Madeira, por lobo-marinho, embora seja na verdade uma foca (pertencente à família Phocidae), e não pertencente à família Otariidae, da qual fazem parte os verdadeiros lobos-marinhos. As focas-monges constituem um dos gêneros dessa família, que compreende três espécies: a foca-monge-do-havaí (Monachus schauinslandi), a foca-monge-do-caribe (Monachus tropicalis), já extinta, e a foca-monge-do-mediterrâneo (Monachus monachus).

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Características e comportamento


A foca-monge é um animal robusto que pode atingir os 400 quilos e os 4 metros de altura, no caso dos machos. As fêmeas são sempre mais pequenas podendo atingir até 2,30 metros de tamanho.

Quando submerge, as suas narinas paralelas fecham-se, impedindo, desta forma, a entrada de água para os canais respiratórios. Debaixo de água, servem-se do olhos para se guiarem, mas também dos seus longos bigodes, órgãos do tacto extremamente sensíveis às mudanças de pressão. As focas passam a maior parte do tempo dentro de água. Podem mesmo dormir no mar, à superfície, num período que pode chegar a 12 minutos, ao fim dos quais tem de se movimentar para respirar. Como é um mamífero, apenas pode respirar à superfície. O seu fôlego permite-lhe, no entanto, permanecer 10 a 12 minutos submersa. Embora realize a maior parte da sua atividade no mar, a foca depende da terra para repousar, fazendo-o essencialmente em praias escondidas no interior de grutas.

Alimenta-se de animais que captura na água, como polvos e peixes de tamanho considerável, entre os quais se encontram o mero (Epinephelus marginatus) e o congro (Conger conger). Ainda assim, além de predadores, são também presas de outros predadores maiores como a orca (Orcinus orca) e os tubarões. Porém, dado que estes animais não costumam aproximar-se das zonas costeiras, constituem ameaças muito pontuais.

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Preservação da espécie em Portugal


Pelo menos desde 1982 que existe um cuidado especial em preservar a foca-monge das Desertas. Esse cuidado tem vindo a ser prestado pelo Parque Natural da Madeira. Em 1988, a proteção legislativa das Ilhas Desertas veio reforçar esse esforço de preservação, tendo sido criado em 1995 a Reserva Natural das Ilhas Desertas.

Durante a década de 80 e 90, o PNM apostou na proteção da espécie in loco, na monitorização e estudo da colônia, na educação ambiental, e no contacto direto com os pescadores do Funchal e do Machico. Em 1997, criou-se nas Desertas uma Unidade de Reabilitação destinada a recuperar animais que corressem risco por se encontrarem debilitados. A proteção das focas é levada a cabo por vigilantes da natureza que patrulham as ilhas de bote.

Hoje em dia, a principal ameaça sobre estes mamíferos pode ser uma catástrofe inesperada, tal como um derrame de crude. Isso, por si só, seria suficiente para dizimar a colônia.

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